Descarbonização

Descarbonização da construção civil: a adaptação às novas exigências ESG

Segundo o relatório de Status Global para Edificações e Construção, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) em 2024, osetor responde por cerca de 21% das emissões globais de gases de efeito estufa — e, em 2022, os edifícios foram responsáveis por 34% da demanda global de energia. Diante desses números, a construção civil passou a ocupar um espaço no centro da discussão sobre a descarbonização.

Nos últimos anos, o fortalecimento das agendas ESG acelerou essa mudança de perspectiva.  Medidas de responsabilidade ambiental tornaram-se critério de acesso a capital, condição de contratação e fator de competitividade. 

Para grandes empreendimentos industriais e corporativos, a questão agora é como se preparar para a descarbonização antes que as exigências de mercado tornem a adaptação mais complexa.

O que mudou na relação entre construção civil e emissão de carbono

Durante décadas, a emissão de carbono no setor foi tratada como efeito colateral inevitável da atividade construtiva. Concreto, aço, transporte de insumos, geração de resíduos e consumo energético do canteiro compõem uma cadeia com impacto ambiental significativo e de difícil mensuração quando não há processos estruturados para rastreá-lo.

O que mudou foi o peso que investidores, clientes corporativos e órgãos reguladores passaram a atribuir a esses dados. Certificações ambientais como LEED e AQUA-HQE saíram do nicho de projetos específicos e ganharam relevância nos critérios de avaliação de grandes portfólios imobiliários. 

Paralelamente, a cobrança por transparência nos inventários de carbono, antes restrita a setores como o energético, avançou sobre a cadeia da construção, pressionando construtoras a quantificar e reportar suas emissões com mais rigor.

No Brasil, a aprovação da Lei nº 15.042/2024, que institui o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), acrescentou um elemento concreto a esse cenário: a perspectiva de que a gestão de emissões passe a ter implicações regulatórias cada vez mais relevantes para as empresas, à medida que o sistema for implementado gradualmente conforme as fases previstas na legislação. 

De onde vem a emissão de gás carbônico na construção civil?

Entender onde ocorrem as emissões de carbono é o primeiro passo para reduzi-las de forma efetiva. Em grandes obras, as emissões se concentram em três frentes principais.

  • Carbono incorporado: emitido na extração, fabricação e transporte dos materiais. Cimento e aço figuram entre os insumos com maior intensidade de carbono na cadeia produtiva, o que coloca decisões de especificação técnica no centro da estratégia de descarbonização;
  • Carbono operacional: gerado pelo consumo de energia no canteiro ao longo da execução. Equipamentos a combustão, geradores e instalações provisórias respondem por boa parte do carbono emitido diretamente no processo construtivo;
  • Geração de resíduos: materiais descartados incorretamente ou em excesso representam impacto ambiental e perda de eficiência produtiva, o que conecta a agenda de descarbonização à de controle de custos e planejamento operacional.

Como as construtoras estão revendo processos

A adaptação às exigências ESG não ocorre de forma isolada em um único processo. Na prática, as construtoras que avançam em descarbonização costumam revisar simultaneamente a forma de especificar materiais, planejar a operação da obra, gerenciar resíduos e mensurar o desempenho ambiental ao longo das etapas da obra.

Na seleção de materiais, cresce o uso de concreto com menor teor de clínquer, estruturas com aço reciclado e alternativas de menor impacto para revestimentos e vedações. A lógica é reduzir a intensidade de carbono já na especificação, antes de qualquer ação no canteiro.

No planejamento construtivo, métodos como industrialização e pré-fabricação contribuem para diminuir desperdícios, reduzir o tempo de obra e controlar com mais precisão o volume de materiais consumidos. Obras planejadas com maior grau de precisão tendem a gerar menos retrabalho — e retrabalho, em termos de carbono, significa insumos consumidos duas vezes para o mesmo resultado.

Na gestão de resíduos, o alinhamento com a Resolução CONAMA nº 307 e com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) orienta a classificação, destinação e potencial reaproveitamento dos materiais gerados. Rastrear esse fluxo com consistência é condição para reportar indicadores ambientais com credibilidade.

Qual é a relação entre eficiência operacional e descarbonização?

Existe um detalhe prático que costuma receber menos atenção nessa discussão: reduzir as pegadas de carbono e enxugar custos são metas que frequentemente caminham juntas. Quando a empresa refina o planejamento, evita o desperdício de materiais, controla a logística e estabiliza o cronograma, os efeitos tendem a refletir tanto nos custos quanto nas métricas ambientais. 

Nesse contexto, o mercado passou a tratar a descarbonização como um termômetro de maturidade de gestão nas avaliações de governança, e não mais como um compromisso apenas ecológico. A lógica por trás disso é que a empresa que consegue medir, gerenciar e reportar suas emissões com precisão indica maturidade operacional que vai além da agenda climática.

Essa transparência tornou-se um critério relevante para investidores e grandes contratantes, principalmente os que seguem regras globais de reporte como o GRI ou o IFRS S2. 

Atualmente, a capacidade de uma construtora de apresentar dados confiáveis sobre seu impacto ambiental passou a representar um importante critério de seleção. 

Certificações ambientais como instrumento de posicionamento

Certificações como LEED funcionam, na prática, como um protocolo estruturado para demonstrar que um empreendimento atende a padrões objetivos de desempenho ambiental. 

Para grandes obras corporativas e industriais, obter uma certificação desse tipo representa um ativo de valorização patrimonial e, cada vez mais, uma exigência de ocupantes e investidores institucionais.

O processo de certificação também exerce um efeito disciplinador sobre o projeto e a execução. Como os critérios precisam ser cumpridos ao longo de toda a obra, a equipe técnica é levada a monitorar variáveis que, sem esse incentivo, raramente seriam acompanhadas com a mesma regularidade.

Descarbonização e visão de longo prazo na Manara

A Manara acompanha a evolução regulatória e técnica do setor com planejamento estruturado e foco em desempenho de longo prazo. 

Ao longo de 25 anos e mais de 2 milhões de metros quadrados construídos, a construtora consolidou uma abordagem que integra eficiência operacional, responsabilidade ambiental e controle técnico das etapas de execução.

Iniciativas como o Comitê Manara Eco e o programa Canteiro Eco — que inclui sistema de reaproveitamento de água e possibilidade de geração de energia limpa — refletem como a gestão de impacto ambiental está incorporada à rotina das obras, e não tratada como camada paralela ao processo construtivo.

A base de fornecedores alinhados a padrões LEED e a práticas sustentáveis, organizada pela Eco Data-Base, contribui para que as decisões de especificação técnica estejam alinhadas às novas exigências do mercado desde as fases iniciais de cada projeto.

A abordagem adotada pela Manara integra visão de longo prazo, execução responsável e acompanhamento técnico contínuo para atender às novas demandas do setor.

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