Fragmentos de pisos e porcelanatos, plásticos, papéis de embalagem, pedras, pedaços de vidro e madeira. É impossível que uma obra não gere entulhos, por isso saber como fazer a gestão de resíduos é essencial.
Segundo dados da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), divulgados no início de 2025, a construção civil brasileira produz aproximadamente 48 milhões de toneladas de entulho por ano.
Dessas, apenas cerca de 10 milhões de toneladas são reaproveitadas, o equivalente a aproximadamente 21% do total gerado.
Assim, a gestão correta de resíduos ajuda a manter a organização do canteiro, reduz impactos ambientais e garante a conformidade com as normas vigentes.
Leia no texto a seguir como deve ocorrer a gestão de resíduos na construção civil e como práticas sustentáveis devem ser adotadas no canteiro.
Existe regulamentação sobre gestão de resíduos na construção civil?
O Brasil tem um conjunto de normas que orientam a gestão de resíduos da construção civil, com destaque para a Política Nacional de Resíduos Sólidos e a Resolução CONAMA nº 307.
Essas legislações estabelecem diretrizes para reduzir impactos no ambiente, incentivar a reciclagem e responsabilizar os geradores.
Lei nº 12.305/2010 – Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)
A Lei nº 12.305/2010 institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos e define princípios como:
- Responsabilidade compartilhada;
- Não geração, redução, reutilização e reciclagem;
- Destinação ambientalmente adequada.
Resolução CONAMA nº 307
A Resolução CONAMA nº 307 é a principal norma específica para o setor. Ela estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil, com o objetivo de minimizar impactos ambientais.
Também determina que os resíduos não podem ser descartados em locais inadequados e que devem seguir processos de reutilização, reciclagem ou destinação apropriada.
Como os resíduos gerados em obras devem ser manejados
O manejo adequado dos resíduos começa ainda no planejamento da obra e se estende por todas as etapas do projeto.
A ideia é evitar desperdícios, reaproveitar materiais sempre que possível e garantir a destinação correta daquilo que não pode ser reutilizado.
Esse processo envolve algumas etapas importantes, como armazenamento, classificação, separação e destinação final, que devem ser integradas à rotina do canteiro. Veja, com mais detalhes, cada uma delas:
Armazenamento
O armazenamento é o primeiro passo para uma gestão adequada. Os resíduos devem ser mantidos em locais específicos, sinalizados e organizados, evitando contaminação entre materiais diferentes.
Além disso, a armazenagem correta contribui para a segurança no canteiro, reduzindo riscos de acidentes e facilitando o transporte interno dos resíduos.
Classificação
A classificação dos resíduos é fundamental para definir o destino correto de cada material. No Brasil, o Conselho Nacional do Meio Ambiente estabelece, por meio da Resolução CONAMA nº 307, a divisão em quatro classes:
Classe A – são os resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados, tais como:
- a) de construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação e de outras obras de infraestrutura, inclusive solos provenientes de terraplanagem;
- b) de construção, demolição, reformas e reparos de edificações: componentes cerâmicos (tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento etc.), argamassa e concreto;
- c) de processo de fabricação e/ou demolição de peças pré-moldadas em concreto (blocos, tubos, meio-fios etc.) produzidas nos canteiros de obras.
Classe B – são os resíduos recicláveis para outras destinações, tais como plásticos, papel, papelão, metais, vidros, madeiras, embalagens vazias de tintas imobiliárias e gesso.
Classe C – são os resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitam a sua reciclagem ou recuperação;
Classe D – são resíduos perigosos oriundos do processo de construção, tais como tintas, solventes, óleos e outros ou aqueles contaminados ou prejudiciais à saúde oriundos de demolições, reformas e reparos de clínicas radiológicas, instalações industriais e outros, bem como telhas e demais objetos e materiais que contenham amianto ou outros produtos nocivos à saúde.
Separação
Após classificados, os resíduos devem ser separados ainda no local de geração. Essa prática facilita a reciclagem e reduz custos com transporte e destinação.
A separação também evita a contaminação de materiais recicláveis, aumentando o potencial de reaproveitamento dentro da própria obra ou em outros processos produtivos.
Destinação correta
A destinação final deve seguir critérios técnicos e legais. Sempre que possível, os resíduos devem ser:
- Reutilizados na própria obra;
- Encaminhados para reciclagem;
- Destinados a áreas licenciadas, como aterros específicos.
A disposição irregular, como em terrenos baldios ou áreas de preservação, é proibida e pode gerar penalidades.
Quem são os responsáveis por implementar gestão de resíduos nos canteiros?
A responsabilidade pela gestão de resíduos é compartilhada, envolvendo gestores de obra, engenheiros, equipes operacionais e empresas especializadas, mas recai principalmente sobre os geradores, ou seja, as construtoras e empresas responsáveis pela obra.
De acordo com a legislação, esses agentes devem garantir que todas as etapas do gerenciamento sejam executadas corretamente.
Além disso, o poder público municipal também desempenha um papel importante na regulamentação, fiscalização e oferta de infraestrutura adequada para o recebimento desses materiais.
Por que a gestão de resíduos é importante na construção civil?
A gestão de resíduos é uma exigência legal e gera impactos que vão além do cumprimento da norma, com efeitos principalmente ambientais e também sobre a produtividade na obra, auxiliando na redução de custos, na diminuição de desperdícios e na melhoria do dia a dia no canteiro.
Além disso, práticas sustentáveis podem se tornar um diferencial competitivo no setor, ao contribuírem para maior conformidade e eficiência nas operações, em um cenário em que clientes e investidores valorizam empresas comprometidas com a responsabilidade ambiental.
Comitê Manara Eco: compromisso da Manara com a sustentabilidade
Na Construtora Manara, a sustentabilidade é um compromisso fundamental que orienta práticas e decisões.
Nesse sentido, o Comitê Manara Eco trabalha para minimizar os impactos ambientais por meio de ações, promovendo a gestão responsável dos recursos nos canteiros de obras. Entre as iniciativas, destacam-se:
- Canteiro Eco: que conta com sistema de reaproveitamento de água e possibilidade de geração de energia limpa;
- Eco Data-Base: uma base de dados estruturada de fornecedores alinhados a padrões LEED e a práticas sustentáveis.
A Manara acredita que cada ação em direção à sustentabilidade contribui para a construção de um futuro mais verde, e por isso se esforça para inovar, inspirar e integrar desenvolvimento com responsabilidade ambiental.
Entre em contato conosco para saber mais.






