Para que uma construção seja completamente segura, os cuidados começam antes mesmo da obra com a sondagem de solo.
É essa análise que irá revelar as condições reais do terreno abaixo da superfície, fornecendo dados que orientam o projeto de fundações em obras de médio e grande porte.
Os projetistas contam com os relatórios da sondagem de solo para escolher entre sapatas, blocos ou estacas, evitando assim possíveis deformações excessivas ao longo dos anos.
Quer saber como ler um relatório de sondagem e aplicar os dados ao dimensionamento de fundações? Continue a leitura!
O que é sondagem de solo
A sondagem de solo consiste em um conjunto de procedimentos de campo para investigar o subsolo de uma área onde será erguida uma construção. Com essa análise é possível identificar camadas de terra, rocha, areia ou argila em diferentes profundidades.
E como é feita? Os engenheiros perfuram o terreno com equipamentos específicos e coletam amostras ou medem resistências, gerando um relatório com perfis verticais do local da obra.
Esses dados servem de base para calcular a capacidade de suporte do solo e prever seu comportamento sob cargas da estrutura.
Todo esse processo segue normas brasileiras como a ABNT NBR 6484, que padroniza a execução e o registro dos ensaios. No final, o engenheiro geotécnico entrega as plantas com a locação dos furos, as descrições litológicas das camadas e os gráficos de resistência em função da profundidade.
Importante! Toda obra acima de certo porte exige essa etapa para cumprir exigências legais e técnicas.
Tipos de sondagem mais utilizados no Brasil
No Brasil, os engenheiros civis recorrem a métodos adaptados às condições locais de solo, como solos residuais tropicais comuns em São Paulo ou argilas moles no litoral.
Cada tipo atende a finalidades distintas, desde investigações rápidas até análises detalhadas de rochas.
A escolha vai depender do tamanho da obra, da profundidade necessária e do orçamento disponível.
Sondagem à trado
Esse método emprega uma trado manual ou mecânica para escavar o solo e coletar amostras deformadas, permitindo visualizar horizontes e medir o nível do lençol freático.
Nesse modelo de sondagem, normatizado pela ABNT 9603/2023, a trado gira no eixo, removendo terra em camadas de até dois metros por vez, ideal para terrenos superficiais sem pedras. Os tipos mais usados são o trado helicoidal (espiralado) e o trado concha (convexo).
Os profissionais usam esse ensaio em lotes pequenos ou como triagem inicial, pois custa menos que opções mais avançadas.
As limitações podem surgir em solos muito duros ou com cascalho, onde a trado pode travar. Mesmo assim, a sondagem à trado permanece popular em prospecções preliminares por sua simplicidade e rapidez no campo.
Sondagem à percussão SPT
A sondagem Standard Penetration Test (Teste de Penetração Padrão, na tradução livre), conhecida também SPT, é o método dominante em obras brasileiras de edifícios e infraestrutura.
Um peso de 65 kg cai de 75 centímetros (cm) de altura para cravar um amostrador padrão no solo, registrando o número de golpes para penetrar 30 cm após um assento inicial.
O resultado, chamado N SPT, quantifica a resistência relativa do material e correlaciona-se com capacidade de carga.
Os equipamentos portáteis facilitam seu uso em canteiros urbanos, com furos que atingem até 30 metros. Normas da ABNT orientam a execução para garantir a reprodutibilidade dos dados.
Outros métodos complementares
A verificação pode ser feita ainda com a sondagem rotativa que emprega broca giratória com fluido de perfuração para extrair núcleos intactos de rocha ou solo coeso, essencial em fundações mais profundas ou túneis.
Já o ensaio de penetração cônica CPT insere uma ponta calibrada no terreno, gerando curvas contínuas de resistência sem remoção de material.
Esses testes têm ganhado espaço em projetos complexos, embora exijam máquinas maiores e operadores mais especializados.
Como interpretar os resultados da sondagem de solo
Os relatórios de sondagem apresentam tabelas com valores de N SPT por metro de profundidade, descrições de camadas como “areia média cinza” ou “argila siltosa marrom” e medidas do lençol freático.
A ABNT NBR 6484 estabelece a classificação relativa de compactação e consistência com base no índice N SPT, conforme tabela abaixo extraída da norma, que relaciona faixas de valores à designação qualitativa do solo (como “muito solto” para areias ou “muito mole” para argilas).
| Solo | Índice de resistência à penetração (N) | Designação¹ |
| Areias e Siltes arenosos | ≤ 4 | Fofa(o) |
| 5 a 8 | Pouco compacta(o) | |
| 9 a 18 | Medianamente compacta(o) | |
| 19 a 40 | Compacta(o) | |
| > 40 | Muito compacta(o) | |
| Argilas e siltes argilosos | ≤ 2 | Muito mole |
| 3 a 5 | Mole | |
| 6 a 10 | Média(o) | |
| 11 a 19 | Rija(o) | |
| > 19 | Dura(o) |
¹ As expressões empregadas para a classificação da compactação das areias (fofa, compacta, etc.) referem-se à deformabilidade e resistência destes solos, sob o ponto de vista de fundações, e não devem ser confundidas com as mesmas denominações empregadas para a designação da compactação relativa das areias ou para a situação perante o índice de vazios críticos, definidos na Mecânica dos Solos.
O N SPT, por exemplo, indica compacidade em areias: abaixo de 4 sugere solo muito solto, acima de 30 aponta material denso. Os engenheiros cruzam esses números com tabelas normativas da ABNT para estimar tensões admissíveis no terreno.
Camadas compressíveis, como argilas de baixa resistência (N SPT inferior a 6), aparecem com valores baixos e demandam fundações profundas para transferir cargas a estratos firmes.
O lençol freático, se estiver próximo à superfície, reduz a estabilidade por saturação e exige drenos ou estacas seladas.
Parâmetros principais e seu impacto nas fundações
O perfil estratigráfico mostra transições entre camadas moles e rígidas, guiando o comprimento das estacas até um “nível competente”.
Baixos N SPT superficiais contraindicam sapatas isoladas, favorecendo radier ou estacas. Correlações empíricas convertem N SPT em parâmetros de cálculo, como ângulo de atrito em areias ou coesão em argilas.
Variações laterais entre furos sinalizam heterogeneidades, comuns em terrenos urbanos alterados. Projetistas ajustam o modelo geotécnico para prever recalques diferenciais, que racham paredes com medida acima de 25 milímetros (mm).
Fundações seguras a partir da sondagem bem interpretada
A interpretação correta dos relatórios de sondagem transforma dados brutos em decisões concretas para fundações que resistem ao tempo e às cargas previstas. Seguir a ABNT garante conformidade técnica e economia real na obra ao dimensionar estacas e sapatas com precisão.
Com 24 anos de expertise em obras de médio e grande porte, mais de 2 milhões de metros quadrados entregues e foco em inovação e sustentabilidade, a Construtora Manara assessora construtoras na análise de sondagens e engenharia geotécnica para fundações otimizadas.
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